Uma nuvem não sabe porque se move em tal direção. Sente um impulso… É para este lugar que devo ir agora. Mas o céu sabe os motivos e desenhos por trás de todas as nuvens, e você também saberá, quando se erguer o suficiente para ver além dos horizontes.
-Richard Bach
(via soulfish)
Bom Conselho
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
-Chico Buarque
(Source: weheartit.com, via soulfish)
“Outside we wait ‘til face turns blue
I know the nervous walking
I know the dirty beard hangs
Out by the box car waiting
Take me away to nowhere plains”
Here Comes Your Man- Pixies
“Mundo velho e decadente mundo
Ainda não aprendeu a admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Do engano
Da imperfeição”
- Zeca Baleiro
ONTEM
A todo instante tudo principia
Tudo inconstante, toda hora, toda hora
Tudo mora feito sino
Desperta a mesma sensação,
Está na porta, está na hora (outrora)
Pare o sino, o hino
Quebre a porta, abre um livro, freie a hora
Adentro o mundo…
Faço-me arte na parte a poesia que sinto
(Está bem além das palavras e das linhas).
Camila Rinaldi e Liz
(Source: colormewithcha0s, via girlmeetsdream)
“Your song will play on without you, and this world won’t forget about you.”
-Ringo Starr for George Harrison
(Source: gsv107)
Apetite sem Esperança
Mãe eu tô com fome
eu dizia eu gritava eu mugia
minha vó zangada respondia
você não está morrendo e nem tem fome
Você tem é apetite
Você sabe que vai comer, aonde comer, o quê vai comer.
Fome não! A fome, minha neta,
a fome, meu irmão,
a fome, minha criança,
é um apetite sem esperança.
Quando há certeza de cereais, toalhas americanas,
guardanapos e alegrias da coca-colândia
não há fome de verdade.
Minha vó já dizia pra mim um futuro de Brasil.
Minha vó nem viu edifício crescer no lugar de pão
no lugar de trigo
nem viu criança com infância de semáforo
vendendo mariola barata, criança que mata
porque seu quintal tá sempre no vermelho
criança cujo ralado de joelho
dói menos do que o não morar, não existir, não contar
com a fome tenaz
Não há tenaz na escola
há só a cola de cheirar a dor doída
de um monstro estômago a roncar
um animal doído dentro do corpo a uivar
todo dia, sem boa vista, sem quinta zoológica onde morar
Com a fome das crianças brasileiras
forra-se a mesa, arma-se o banquete
dos que sempre tiveram apenas apetite.
A faminta criança foi apenas o álibi, o cardápio, o convite.
Desmamada ela cresce procurando o peito da pátria amada
uma banana, uma manga, uma feijoada
e a mãe pátria diz nada.
Tem ela apenas o horror, o descalor, a calçada
um ódio a todos os tênis dos meninos nutridos
um ódio a mochilas, a saudáveis barrigas
com contínuo furor de assaltar os relógios
um deter o tempo que é o seu verdadeiro balão
um cai-cai balão que só cai à mão armada.
A fome gera a cilada de uma pátria de não irmãos.
A gente podia ter gripe, asma, catapora, bronquite
A gente podia ter apetite mas fome não.
Minha vó bem que dizia sem errança:
fome é um apetite sem esperança.
Elisa Lucinda
O meu amor tem um jeito manso que é só seu e que me deixa louca quando me beija a boca, a minha pele toda fica arrepiada. E me beija com calma e fundo, até minh’alma se sentir beijada. O meu amor tem um jeito manso que é só seu que me deixa maluca quando me roça a nuca, e quase me machuca com a barba mal feita, e de pousar as coxas entre as minhas coxas quando ele se deita. O meu amor tem um jeito manso que é só seu de me fazer rodeios, me beijar o ventre e me deixar em brasa, desfruta do meu corpo como se o meu corpo fosse a sua casa.
-Chico Buarque